fevereiro 5, 2010

só pra me lembrar de que, infelizmente, tudo o que eu escrevi no dia 29 estava certo.

e não é mais uma questão de dor. é um não saber o que fazer com o que restou.

mudanças

janeiro 29, 2010

durante um certo tempo, você forma uma ideia de si. ou tenta. eu nunca fui daquelas que sabia o que responder quando perguntada “quem é você?”. filosoficamente falando. mas você tenta construir aos poucos uma ideia de si, do que você é capaz ou não, por pior que você seja em responder essa pergunta que dói na existência. e quando você cria essa ideia, você também forma ideias de progresso, comparações entre o ontem e o hoje.

nos meandros dessas comparações, eu achava que os últimos anos tivessem me ensinado alguma coisa. mas não sei… hoje, e eu quero dizer no dia de hoje, eu sinto como se eu não tivesse mudado em nada. e isso implica em não ter crescido, não ter aprendido. voltar à estaca zero.

hoje eu estou aqui, me sentindo mal, de uma maneira que eu pensava ter deixado pra trás. e por um motivo que, olhando de fora, é fútil. mas normalmente, é a raiz de todos os meus problemas. enquanto eu escrevo, não sei aonde colocar as vírgulas. não vou tentar arrumar. acho que as vírgulas são a prova de como eu estou bagunçada, mexida. de como estou adolescente.

eu não entendo. apaixonar-se acontece pra todas as pessoas. e por mais turbulento que seja, elas encontram um meio saudável de expressão disso. pra mim, é puro caos. é sentir meu corpo se tornando um grande quebra-cabeças, em que nada se encaixa. eu queria conseguir exprimir isso sem tantas circunstâncias embaraçosas, ou, ao menos, de uma maneira que não me deixasse completamente uneasy. queria também que fosse mais simples, queria viver isso. assim, comum, banal, como todo mundo faz.

é cansativo viver eternamente numa peça de teatro grego, correndo o risco de magoar a mim e a tanta gente junto. mas mais do que isso, é não saber o que fazer com aquilo que se sente.

não entendo porque eu me sinto tão errada. tão fora de lugar. mas eu sinto. principalmente porque se tem uma coisa em que eu realmente acreditava que estava mudada era nisso. eu me sentia bem. certa. merecedora de tudo de bom que pudesse vir.

aí, aquela pedra no caminho ( ai de mim, drummond) acontece. e você se pergunta: por que?

passei os últimos 7 dias com essa pergunta. dormi e acordei com ela. tentei entender porque não eu, o que tem de errado comigo. e acho que a resposta que eu encontrei me dói de uma maneira que eu não esperava.

i’m a substitute person.

não é justo.

ps.: por que existem ‘substitute people’ e ‘ellens’? será que algumas pessoas são mais dignas de serem prioridade, são mais dignas de amor do que outras? eu não entendo. mesmo.

eu sou todo um quase. um pássaro de asas quebradas. e eu não sei o que as pessoas veem, do que elas falam.

porque eu sou isso. esse fôlego preso. e eu espero pelo momento certo chegar, o momento de voar… mas não chega. e fico assim, engasgada.

silent still

agosto 28, 2009

por mais que a gente viva e sobreviva a todo o tipo de decepção, nunca estamos preparados pra dor que um pai e uma mãe podem causar. eu, a sobrevivente, a dona da vontade de ferro, a fighter for excellence, estou machucada. e eu não tenho palavras para descrever isso.

a dor, a incerteza, o medo, a mágoa.

tempo

agosto 8, 2009

hoje, pela primeira vez, eu envelheci. pela primeira vez, tive o insight de que o tempo está passando para mim também, e que, de alguma maneira, as coisas não estão como eu imaginava.

foi uma pequena marquinha embaixo do olho que me deu consciência dos meus 22 anos. parece pouco e irracional que uma pessoa na minha idade tenha alguma marca. mas eu tenho várias; muitas além desta primeira marquinha embaixo do olho, que talvez até já estivesse aí. marcas do que a vida, do que as pessoas fizeram comigo e, principalmente, do que eu fiz de mim.

e como a vida é cheia desses pequenos truques, hoje, no dia em que eu me apercebi desse tempo tão volátil, também me senti de novo uma adolescente. me vi de novo em vestido de festa, com 16 anos, enxergando uma das cenas mais doloridas que eu já havia experimentado.

e aquela pequena grande dor pessoal – que não é dessas dores compreensíveis e poderosas da existência, mas é uma dor – ficou marcada em mim. e hoje, 6 anos depois, eu a sinto novamente. estou eu aqui, de mãos atadas, negligenciada, rejeitada, ignorada.

marcada pelo tempo.

Sobre um acidente

julho 3, 2009

Era uma noite fria no coração de São Paulo, a cidade que tanto amo, que é testemunha das estranhezas da minha vida (embora lá eu não tenha nascido). E de repente, aquele vento sul que aperta e oprime os corações bateu. E como se desse tipo de sensação pudéssemos fugir, eu corria. Corria arrastando a amiga de anos comigo, pra matar um pouco da solidão. Corria com um sorriso bobo, como se ir contra o vento fosse provar que sou mais forte, que tenho forças pra viver e escolho essa vida, de bom grado. Corria mais, pra que o vento sul que me oprime limpe também as lágrimas do meu rosto e torne meus pensamentos fugidios, meus sentimentos voláteis. Porque ficar com eles é insuportável. É pesado.

Então, um encontro, um feliz acidente. Não uma reviravolta; a esse ponto minha história não precisa de mudanças drásticas, de clímax. Ela precisa das pequenezas, da simplicidade. Não de um descompasso nessa batida, mas de percussão, ou de quem cante junto. E foi aí que aconteceu um sorriso. Se engana quem pensa que os sorrisos não acontecem, ou que não podem ser tratados como acontecimentos (muitas vezes, mudam mais coisas do que o clímax, veja só).

Foi isso que me aconteceu. Um sorriso, sorriso este de um desconhecido. Mas o que importa é que alguém me sorriu, dividiu sua parcela de felicidade despercebida e corriqueira comigo. Miudezas como estas, eu já disse, acontecem. E são maiores do que pensamos. Na verdade, elas são o verdadeiro clímax, são capazes de dar força contra o vento sul. Estão presentes todos os dias e deixamos que aconteçam sem serem notadas. Pois é, esse diminuto momento tem nome. E o nome deste momento, deste sorriso, é esperança.

das marcas e signos

julho 29, 2008

sempre pensei que a angst de cada um de nós fosse se expressar. mas acho que mais do que isso, é imprimir a sua própria marca. há tantas formas de sê-lo, de fazê-lo. eu sempre escrevi – tentando libertar meus demônios, ou simplesmente para falar de sentimentos. hoje eu vejo que cada um encontra  o seu jeito…há aquele que se tatua por completo, marcando aquilo que tem significado. há o que tatua os outros, porque acredita na força da sua arte – tanto quanto um pintor ou um fotógrafo. há o que escreve músicas, há aquele que se apaixona pelo cinema.

e há por si só a paixão. o ato por ele próprio, que se consuma na carnificina de marcar um ao outro com suas essências. e o amor, como sentimento, é simbiose. é procurar similaridades, espelhar ideais…

somos todos obsessivos, procurando sinais do caminho a trilhar, daquilo em que acreditar.

saudade

julho 24, 2008

A saudade é como um rio em uma planície. Você sente o frio da água batendo nos seus pés em uma margem, mas não enxerga a outra. É tudo infinito, distante, silencioso.

E eu sou o barulho, o aperto, o contorno. Eu não sei nadar.

Por isso, a saudade é como um corte cirúrgico. Preciso, certeiro. No começo, anestesiado. Depois, em imensa dor. Às vezes sangra, às vezes cicatriza. Mas sempre tem a marca pra lembrar.

whole and fixed

junho 30, 2008

it’s not your face, or the color of your hair
or the sound of your voice my dear
that’s got me dragged in here

it’s the ice in the seam, the scheme of you
you’re supposed to have the answer
you’re supposed to have living proof

my anatomy

junho 23, 2008

do you think I’m broken?

Fix me.

’cause I’m not a quitter.

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