Sobre um acidente

Julho 3, 2009

Era uma noite fria no coração de São Paulo, a cidade que tanto amo, que é testemunha das estranhezas da minha vida (embora lá eu não tenha nascido). E de repente, aquele vento sul que aperta e oprime os corações bateu. E como se desse tipo de sensação pudéssemos fugir, eu corria. Corria arrastando a amiga de anos comigo, pra matar um pouco da solidão. Corria com um sorriso bobo, como se ir contra o vento fosse provar que sou mais forte, que tenho forças pra viver e escolho essa vida, de bom grado. Corria mais, pra que o vento sul que me oprime limpe também as lágrimas do meu rosto e torne meus pensamentos fugidios, meus sentimentos voláteis. Porque ficar com eles é insuportável. É pesado.

Então, um encontro, um feliz acidente. Não uma reviravolta; a esse ponto minha história não precisa de mudanças drásticas, de clímax. Ela precisa das pequenezas, da simplicidade. Não de um descompasso nessa batida, mas de percussão, ou de quem cante junto. E foi aí que aconteceu um sorriso. Se engana quem pensa que os sorrisos não acontecem, ou que não podem ser tratados como acontecimentos (muitas vezes, mudam mais coisas do que o clímax, veja só).

Foi isso que me aconteceu. Um sorriso, sorriso este de um desconhecido. Mas o que importa é que alguém me sorriu, dividiu sua parcela de felicidade despercebida e corriqueira comigo. Miudezas como estas, eu já disse, acontecem. E são maiores do que pensamos. Na verdade, elas são o verdadeiro clímax, são capazes de dar força contra o vento sul. Estão presentes todos os dias e deixamos que aconteçam sem serem notadas. Pois é, esse diminuto momento tem nome. E o nome deste momento, deste sorriso, é esperança.

das marcas e signos

Julho 29, 2008

sempre pensei que a angst de cada um de nós fosse se expressar. mas acho que mais do que isso, é imprimir a sua própria marca. há tantas formas de sê-lo, de fazê-lo. eu sempre escrevi – tentando libertar meus demônios, ou simplesmente para falar de sentimentos. hoje eu vejo que cada um encontra  o seu jeito…há aquele que se tatua por completo, marcando aquilo que tem significado. há o que tatua os outros, porque acredita na força da sua arte – tanto quanto um pintor ou um fotógrafo. há o que escreve músicas, há aquele que se apaixona pelo cinema.

e há por si só a paixão. o ato por ele próprio, que se consuma na carnificina de marcar um ao outro com suas essências. e o amor, como sentimento, é simbiose. é procurar similaridades, espelhar ideais…

somos todos obsessivos, procurando sinais do caminho a trilhar, daquilo em que acreditar.

saudade

Julho 24, 2008

A saudade é como um rio em uma planície. Você sente o frio da água batendo nos seus pés em uma margem, mas não enxerga a outra. É tudo infinito, distante, silencioso.

E eu sou o barulho, o aperto, o contorno. Eu não sei nadar.

Por isso, a saudade é como um corte cirúrgico. Preciso, certeiro. No começo, anestesiado. Depois, em imensa dor. Às vezes sangra, às vezes cicatriza. Mas sempre tem a marca pra lembrar.

whole and fixed

Junho 30, 2008

it’s not your face, or the color of your hair
or the sound of your voice my dear
that’s got me dragged in here

it’s the ice in the seam, the scheme of you
you’re supposed to have the answer
you’re supposed to have living proof

my anatomy

Junho 23, 2008

do you think I’m broken?

Fix me.

’cause I’m not a quitter.

Por que as pessoas procuram razão ou conforto, paz, equilíbrio…na minha paixão de ser?
Não mexa na minha bagunça se eu não te deixei tocá-la. Você pode olhar, tentar entender. Não tocá-la.

trouble, oh trouble…haven’t slept a day in years…

Isso não é comigo

Junho 17, 2008

Depois de 1 ano e meio de terapia, esse é o melhor conselho que eu ganho.
Por que ninguém me deu antes?

É isso aí.
Não estou irritada. Não estou nem aí.
E só gosto de você se você gostar de mim. Caso contrário: HAL, are you out there ?

c’mere

Junho 8, 2008

oh how I love you, in the evenings…

adoro essa música. mania minha de procurar alguma coisa doce no que é áspero.

Eu queria que falasse comigo. I’m tired of playing games. É pedir demais que os outros abram o coração, sejam justos, honestos e incansáveis quando se trata daquilo de mais fino que há entre as pessoas… the space between?

Afinal, sou eu que estou machucada. E não vou me dilacerar pelo rogado. Eu estou aqui e cabe só a você tirar estas vendas, fazer tudo ser mais fácil.

silêncio

Junho 2, 2008

no place to call home.