mudanças
janeiro 29, 2010
durante um certo tempo, você forma uma ideia de si. ou tenta. eu nunca fui daquelas que sabia o que responder quando perguntada “quem é você?”. filosoficamente falando. mas você tenta construir aos poucos uma ideia de si, do que você é capaz ou não, por pior que você seja em responder essa pergunta que dói na existência. e quando você cria essa ideia, você também forma ideias de progresso, comparações entre o ontem e o hoje.
nos meandros dessas comparações, eu achava que os últimos anos tivessem me ensinado alguma coisa. mas não sei… hoje, e eu quero dizer no dia de hoje, eu sinto como se eu não tivesse mudado em nada. e isso implica em não ter crescido, não ter aprendido. voltar à estaca zero.
hoje eu estou aqui, me sentindo mal, de uma maneira que eu pensava ter deixado pra trás. e por um motivo que, olhando de fora, é fútil. mas normalmente, é a raiz de todos os meus problemas. enquanto eu escrevo, não sei aonde colocar as vírgulas. não vou tentar arrumar. acho que as vírgulas são a prova de como eu estou bagunçada, mexida. de como estou adolescente.
eu não entendo. apaixonar-se acontece pra todas as pessoas. e por mais turbulento que seja, elas encontram um meio saudável de expressão disso. pra mim, é puro caos. é sentir meu corpo se tornando um grande quebra-cabeças, em que nada se encaixa. eu queria conseguir exprimir isso sem tantas circunstâncias embaraçosas, ou, ao menos, de uma maneira que não me deixasse completamente uneasy. queria também que fosse mais simples, queria viver isso. assim, comum, banal, como todo mundo faz.
é cansativo viver eternamente numa peça de teatro grego, correndo o risco de magoar a mim e a tanta gente junto. mas mais do que isso, é não saber o que fazer com aquilo que se sente.
não entendo porque eu me sinto tão errada. tão fora de lugar. mas eu sinto. principalmente porque se tem uma coisa em que eu realmente acreditava que estava mudada era nisso. eu me sentia bem. certa. merecedora de tudo de bom que pudesse vir.
aí, aquela pedra no caminho ( ai de mim, drummond) acontece. e você se pergunta: por que?
passei os últimos 7 dias com essa pergunta. dormi e acordei com ela. tentei entender porque não eu, o que tem de errado comigo. e acho que a resposta que eu encontrei me dói de uma maneira que eu não esperava.
i’m a substitute person.
não é justo.
ps.: por que existem ‘substitute people’ e ‘ellens’? será que algumas pessoas são mais dignas de serem prioridade, são mais dignas de amor do que outras? eu não entendo. mesmo.