Sobre um acidente
Julho 3, 2009
Era uma noite fria no coração de São Paulo, a cidade que tanto amo, que é testemunha das estranhezas da minha vida (embora lá eu não tenha nascido). E de repente, aquele vento sul que aperta e oprime os corações bateu. E como se desse tipo de sensação pudéssemos fugir, eu corria. Corria arrastando a amiga de anos comigo, pra matar um pouco da solidão. Corria com um sorriso bobo, como se ir contra o vento fosse provar que sou mais forte, que tenho forças pra viver e escolho essa vida, de bom grado. Corria mais, pra que o vento sul que me oprime limpe também as lágrimas do meu rosto e torne meus pensamentos fugidios, meus sentimentos voláteis. Porque ficar com eles é insuportável. É pesado.
Então, um encontro, um feliz acidente. Não uma reviravolta; a esse ponto minha história não precisa de mudanças drásticas, de clímax. Ela precisa das pequenezas, da simplicidade. Não de um descompasso nessa batida, mas de percussão, ou de quem cante junto. E foi aí que aconteceu um sorriso. Se engana quem pensa que os sorrisos não acontecem, ou que não podem ser tratados como acontecimentos (muitas vezes, mudam mais coisas do que o clímax, veja só).
Foi isso que me aconteceu. Um sorriso, sorriso este de um desconhecido. Mas o que importa é que alguém me sorriu, dividiu sua parcela de felicidade despercebida e corriqueira comigo. Miudezas como estas, eu já disse, acontecem. E são maiores do que pensamos. Na verdade, elas são o verdadeiro clímax, são capazes de dar força contra o vento sul. Estão presentes todos os dias e deixamos que aconteçam sem serem notadas. Pois é, esse diminuto momento tem nome. E o nome deste momento, deste sorriso, é esperança.
Isso não é comigo
Junho 17, 2008
Depois de 1 ano e meio de terapia, esse é o melhor conselho que eu ganho.
Por que ninguém me deu antes?
É isso aí.
Não estou irritada. Não estou nem aí.
E só gosto de você se você gostar de mim. Caso contrário: HAL, are you out there ?
the truth is that I’m a bad person
Maio 28, 2008
- não suporto minha irmã.
- de saco MUITO cheio de alguns amigos. “amigos”. whatsoever.
- somebody broke my heart.
- e eu descobri que até doeu 2 dias atrás. mas hoje? I don’t care.
e essa é a melhor parte do meu dia. I chose life.
the car, the fuckin’ big television…
I’m moving on, getting by, looking ahead, the day you die.
jump!
Maio 28, 2008
dois momentos do meu dia:
happiness IS a moment.
and then…
HUIS CLOS
Da vida não se sai pela porta:
só pela janela. Não se sai
bem da vida como não se sai
bem de paixões jogatinas drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que, em meio a fezes e urina
sangue e dor, nascemos para lendas
mares amores mortes serenas.
e depois dizem que instável sou eu.
doutor, é a vida…
vitrine
Maio 26, 2008
Pensa que é fácil?
Que é fácil sair de manhã com o cabelo lindo, perfumada, sem olheiras, de sobrancelhas irretocáveis, unhas perfeitas, e principalmente, um sorrisão no rosto?
Que é fácil aguentar dietas, depilação, exercícios físicos e parentes chatos? Que não é difícil ser inteligente, bem-sucedida e ainda assim asuperdescoladadouniverso?
Eu já mencionei as escolhas que temos que fazer, a falta de tempo, a tpm, a decepção com uma pessoa ou outra, e o PIOR: a saudade dos amigos?
Pensa que é fácil bancar a segura, sair de sapato de salto fino, dizer eu te amo, e, na maioria das vezes, descobrir que não é amada? E aquelas coisas que ninguém fala, do tipo: ai será que ele me acha estabanada, ou que eu beijo mal, ou meu perfume é muito doce?
Fora o fato de existirem horas onde tudo o que você quer é chorar, mas e o rímel…
Será que ninguém acha que essa mulher perfeita se cansa, precisa de férias?
AVISO AOS NAVEGANTES: Mulher Maravilha, só na HQ. Mas tudo é muito mais fácil quando a gente aprende a rir de si mesma…
she’s a superfreak
Maio 25, 2008
Eu tenho uma jukebox cerebral. E não rola a parada da moedinha não, ela funciona completamente aleatória e, muitas vezes, me sabotando.
Sempre soube disso. Era como a história de bater a escova de dente na pia pra dar sorte, que tinha que ser no ritmo da 5ª sinfonia de Beethoven. E as meias preferidas, que faziam tudo dar certo no meu dia. (Logo depois eu descobri que tinha uma meia do azar, porque a maldita da rosa choque acabava com toda a perspectiva de sucesso).
O problema é que eu achava que já tinha passado, que eu já era uma pessoa madura o suficiente pra não ligar pra essas coisas ridículas pequenas. Aí eu me ligo que dirijo muito mal quando a minha jukebox toca aquela musiquinha da propaganda do mercado livre. É, eu não presto atenção no trânsito, só nas nuvens (????).
O inverso acontece. Eu dirijo melhor que o Schumacher se tá tocando ‘Balada dos Esqueletos’, do Ginsberg. Sei lá por quê. Não me pergunte.
É isso aí, cuidado com a música que tá tocando quando me encontrar.
choose life
Maio 25, 2008
então, é isso aí: não tou legal. não espero que ninguém entenda, mas não tou. e escrevo pra ver se paro de sufocar tudo aqui dentro.
tá aí, assumi: grandes ***** de feriado.
you ain’t no dancer
Maio 22, 2008
Um tilintar. um suave tilintar pra adocicar minha manhã.
primeiro
Maio 22, 2008
Há muito, creio eu, não tenho mais pretensões de ser qualquer tipo de escritora. Mas, ao menos tentar escrever, tornou-se uma espécie de tentativa de beber do sumo dessa coisa que não tem nome; essa coisa que faz as pessoas superarem toda dor, que faz haver beleza e uma certa calma na vida.
Acho que pra mim, tão faminta, um pouco de calma, beleza e força não faria mal.