tempo
Agosto 8, 2009
hoje, pela primeira vez, eu envelheci. pela primeira vez, tive o insight de que o tempo está passando para mim também, e que, de alguma maneira, as coisas não estão como eu imaginava.
foi uma pequena marquinha embaixo do olho que me deu consciência dos meus 22 anos. parece pouco e irracional que uma pessoa na minha idade tenha alguma marca. mas eu tenho várias; muitas além desta primeira marquinha embaixo do olho, que talvez até já estivesse aí. marcas do que a vida, do que as pessoas fizeram comigo e, principalmente, do que eu fiz de mim.
e como a vida é cheia desses pequenos truques, hoje, no dia em que eu me apercebi desse tempo tão volátil, também me senti de novo uma adolescente. me vi de novo em vestido de festa, com 16 anos, enxergando uma das cenas mais doloridas que eu já havia experimentado.
e aquela pequena grande dor pessoal – que não é dessas dores compreensíveis e poderosas da existência, mas é uma dor – ficou marcada em mim. e hoje, 6 anos depois, eu a sinto novamente. estou eu aqui, de mãos atadas, negligenciada, rejeitada, ignorada.
marcada pelo tempo.